quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESTATUTO DO FOLIÃO


Antonino Oliveira Júnior*

Art. 1 - Fica decretado, que durante todo o carnaval não haverá lugar para a tristeza e que a alegria deverá reinar na cidade.

Art. 2 – Que ao folião será dado o direito de extravasar sua alegria ao som do maracatu, do caboclinho, do afoxé, do samba e, principalmente, do frevo.

Art. 3 - Fica terminantemente proibida qualquer manifestação de violência, garantindo-se ao folião o direito de brincar em segurança.

Art. 4 - Que será respeitado o espaço do folião infantil, assegurando-se, dessa forma, o futuro do carnaval.

Art. 5 - Que Pierrôs e Colombinas poderão, enfim, se amar sem lágrimas e sem barreiras.

Art. 6 - Que durante o carnaval a cidade estará colorida e iluminada, para deleite dos foliões.

Art. 7 - Que o rei e a rainha do Carnaval serão parceiros do povo na alegria e no prazer da folia.

Art. 8 - Que a quarta-feira de cinzas não será o fim, mas o início da pausa entre um carnaval e outro.

Art. 9 - Que as ruas, praças, becos e ladeiras da cidade serão territórios livres e democráticos, para que sejam ocupados, de forma igual, por Troças, Blocos, Caboclinhos, Maracatus, enfim, por foliões de todas as raças e credos, de qualquer naturalidade e nacionalidade.

Art. 10 - Que o povo seja, definitivamente, dono dos passos e danças que executar; que amanheça na folia e que, exausto, possa adormecer, embalado por um Frevo-de-Bloco cantado à distância.

*Antonino Oliveira Júnior é membro da Academia Cabense de Letras

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

EM BUSCA DO CÉU NA TERRA



DOUGLAS MENEZES.

A vida do homem é tentar negar a morte. Desde que foi posto no mundo, ele busca a eternidade como uma forma de prolongar a existência material. E ser eterno não tem nada a ver com espiritualidade, pelo menos demonstra a prática humana através dos séculos. Não estamos dizendo nenhuma novidade, mas refletindo em algo que nos parece ser um comportamento típico dos mortais. Um amigo, professor de Biologia, afirma sempre que o ser humano é tão apegado à vida material, que tenta inventar outra. Ironia à parte, não deixa de ser uma brincadeira com um certo fundo de seriedade.

Esse nosso amigo recorre humoradamente às ilustrações religiosas, tanto católicas como evangélicas, sempre mostrando em seus quadros ambientes edênicos, paisagens bonitas, ecologicamente corretas, paraísos terrestres simbolizando o céu. Diz o mestre. Diante de um quadro religioso com uma família reunida, pessoas de aspecto feliz: só falta aí uma caipirosca para o quadro ficar completo.

Como é interessante observar o apego material das pessoas, mesmo aqueles que muitas vezes se apresentam como líderes religiosos. Já vimos nos para-brisas de diversos carros: foi Jesus quem me deu. Apesar do risco da financeira tomar o presente, caso ele não seja pago em tempo hábil.

O que dizer, então, do instinto de sobrevivência, ação puramente mecânica, ao sermos ameaçados da eliminação física? E os projetos para o futuro, às vezes atravessando décadas? São reflexões simplórias, mas que talvez mereçam um pensar mais profundo.

No entanto, essa visão da qual comungamos em relação ao homem não se reveste apenas numa concepção pessimista. Pelo contrário, carrega em si, a valorização da criatura enquanto ser vivente aqui na terra. Abstraindo-se, lógico, as ambições desmedidas, a vulgarização do material como filosofia de vida e o egoísmo estabelecido em forma de opressão, de domínio.

Para nós, cheira a hipocrisia abdicar do conforto material, do viver bem. Da tranquilidade de uma existência financeira equilibrada, desde que isso não extrapole para a ganância que desumaniza os seres.

Se existe um céu lá no infinito (ou não), por que não tentarmos trazê-lo para a Terra, e fazermos esse paraíso aqui mesmo, concebendo um mundo mais bem dividido, onde o fosso entre as pessoas ricas e pobres, fosse sensivelmente diminuído, e assim, quem sabe, a angústia de só ter, se transformasse na alegria perene de também ser.

Domingo cinzento, 30 de janeiro de 2011.
Douglas Menezes é membro da Academia Cabense de Letras
 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A BANDA QUE PASSA. A BANDA QUE É GRAÇA



Por DOUGLAS MENEZES - 1985

O menino observa, escuta o som que começa a ficar nítido. Tem os olhos acesos o menino, brilham, percebendo a chegada de um prazer esperado com ânsia. Agora, a música totalmente ouvida, bonita a melodia, mesmo sem a presença ainda visível de quem toca. Não vacila, o garoto, em expressar um sorriso ingênuo, sábio, porém. Aquele som ritmado, ele sabe, coeso, acompanhá-lo irá para sempre, vida afora, gerações vindouras. Sabe, também, o menino, que seus pais, seus avós, da mesma forma que ele, também se deslumbraram com a sua banda, com a banda da sua cidade. Carregará a marca daqui pra frente: símbolo cultural do lugar onde ele nasceu.

A sensibilidade à flor da pele, pois a banda passa. Bate palmas o garoto, em meio à multidão. Nada mais a enxergar, a não ser o som de sua orquestra predileta. A sua orquestra, segunda melhor do Brasil, como ele, lentamente crescendo, sacrifício dos artistas humildes, pobres, ricos, no entanto, de amor à sua terra, à sua música.

A banda que ganhou as ruas, que faz o menino correr entre as pernas dos adultos para alcança-la. Não quer perder momento algum do concerto ambulante. Também o povo acompanha. É a banda da cidade de Santo Agostinho, de nome pouco charmoso, mas que é graça, mas que produz um encantamento atravessando décadas. A Filarmônica distribui alegria pelas ruas do Cabo. E como disse o poeta, as dores são esquecidas, pelo menos no momento em que ela toca.

O menino e o povo num reino mágico, só contentamento a cidade respira com sua 15 de Novembro Cabense. É a banda que passa, é a banda que é graça. A poesia flui, enche de emoção o peito do pequenino garoto cabense.

Do livro Uma Declaração de Amor, em parceria com José Ferreira.1985.

Douglas Menezes é membro da Academia Cabense de Letras.

Filarmônica XV de Novembro Cabense em 1927


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

JOAQUIM NABUCO, UM IDEALISTA


"Para o Inglês, se a liberdade é o grande atributo do homem, se ele a sente como o desenvolvimento da personalidade, a ordem é a verdadeira arquitetura social. Ele compreende e penetra a grandeza do sistema que se perpetua mais do que a das revoluções, ao contrário do latino, que pode viver e ser feliz em um solo político oscilante sujeito aos terremotos contínuos. Daí para ele o amor à lei e a simpatia, interesse, carinho mesmo, pela autoridade encarregada de executá – la, daí; também o prestigio do juiz, a popularidade das sentenças que aterrorizam o criminoso, ao contrário das facilidades que este encontra nos países onde decai o instinto de conservação."

“(...) que não tocasse na natureza, que respeitasse o intrincado, o selvático, o inesperado de tudo aquilo, porque aquela desordem era infinitamente superior ao que a arte pudesse tentar... Ele achava a mais pobre e árida natureza mais bela do que os jardins de Salústio ou de Luiz XIV.” (Nabuco, 2004, p. 183).

“(...) o nosso interesse pelas coisas públicas é tanto menor quanto mais de perto nos concerne. (...) Os negócios do município nos interessarão a todos menos que os da Província, os da Província, menos do que o da Política em geral” (Nabuco, 2004, p. 180).

“Demais, eu me convenci de que os partidos, os homens, as instituições rivais em uma mesma sociedade hão de ter o mesmo nível, como líquidos em vasos que se comunicam; de que o pessoal político é um só, os idealistas, os ultras, de cada lado sendo imperceptíveis minorias; por último, de minha inaptidão para lidar com o elemento pessoal, de que dependem em política quase todos os resultados... ” (Nabuco, 2004, p. 188).

(Araújo de, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco, Minha Formação – Editora Martin Claret. Ed. 2004. São Paulo.)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MAÇONARIA NA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Muito se tem falado sobre a participação da Maçonaria no movimento pela independência do Brasil, a Inconfidência Mineira. Pesquisadores e historiadores têm-se baseado em documentos oficiais, assim como algumas obras de autores conceituados, brasileiros e portugueses.
Alguns historiadores, principalmente aqueles que se especializaram na história do Brasil, insistem em ignorar a influência da Maçonaria no Movimento Mineiro. Na verdade a Maçonaria contribuiu significativamente não só com o movimento de Minas, mas em todos os capítulos que culminaram com a nossa independência. Como tenho citado, na época do movimento, a maçonaria era uma sociedade secreta e clandestina, não admitida em território brasileiro, assim como na Metrópole.
As Lojas Maçônicas eram proibidas de funcionar e seus membros perseguidos e presos pelo crime de pertencer a tal ordem. Já naquela época existia o jeito brasileiro de resolver as coisas, ou seja jeito de dar legalidade à coisas proibidas.
Partindo de Tomaz Antônio Gonzaga e José Álvares Maciel, as iniciativas para arregimentação de adeptos à causa, contou com a fundação de Lojas em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, onde se faziam reuniões e traçavam-se planos para a rebelião. Naturalmente essas lojas, apesar de reunir somente maçons não tinham título de Lojas Maçônicas. Eram sociedades Literárias. Academias, Aerópagos e Arcádias Literárias, como afirmado no livro do historiador Antonio Augusto de Aguiar - A Vida do Marques de Barbacena - página 7: "organizou Álvares Maciel sociedades em Minas Rio de Janeiro e São Paulo, com intuito de por meio delas fazer a propaganda das idéias e preparar elementos, que na hora oportuna, fizessem a revolução".

E confirmado pelo também historiador Gustavo Barroso em uma das suas obras: "Em Vila Rica, sede do governo da capitania, havia uma roda de homens cultos, participantes de uma arcádia literária, a qual facilmente se tornaria o centro diretor de qualquer momento de idéias a se objetivar em ação. Tornou-se com efeito, e envolto em tanto mistério, que mal sabiam os conjurados do que nele se tratava, nem ao certo as pessoas que se compunha".
Já nos preparatórios para a independência, vários fatos, de importância significativa, foram planejados e levados a efeito pela Maçonaria, como o FICO a criação dos Conselho dos Procuradores , o Juramento da Constituição. Movimentos estes que tiveram à frente Joaquim Gonçalves Ledo e seu grupo. Não obstante, vários historiadores têm afirmado a incontestável presença da Maçonaria na nossa Independência.

 
A INCONFIDÊNCIA MINEIRA Desde os primórdios de nossa história, constatamos a insatisfação do nosso povo com o jugo português. A exploração do homem levada pela cobiça insaciável de Portugal que tinha o nosso território como uma mina, de onde se extraia todas as riquezas que eram transportadas para a Metrópole.
Muito se falava em independência naquela época. Falava. Nada se escrevia. Não se pode negar que a nossa independência teve a sua origem no movimento iniciado no arraial do Tijuco - hoje Diamantina - que rapidamente se ramificou em todo território brasileiro.
Posteriormente alcançou seu ponto alto de realização em Vila Rica - hoje Ouro Preto - que na época era a sede da Capitania de Minas Gerais. A Inconfidência Mineira à qual só foi dada importância quando descoberta, foi, sem nenhuma dúvida, o movimento libertador do Brasil e desopressor mineiros tão explorados e extorquidos pelos portugueses.

Foi um movimento com idéias importadas da França, onde alguns jovens brasileiros completavam seus estudos, principalmente na universidade de Montpellier, onde tinham o primeiro contato com a Maçonaria. Nas centenas de Lojas em território francês, era pregado a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Nessas Lojas planejou-se a Revolução Francesa e discutiu-se amplamente a libertação dos mineiros e do Brasil. Tenónio D'Albuquerque, historiador mineiro, em uma das suas obras, menciona: "Não é apenas infantilidade e sim estultice, e sim obstinação ocorrente de fanatismo, negar-se a reconhecer na INCONFIDÊNCIA MINEIRA, um empreendimento maçônico.
É bastante atentar-se na sua bandeira, nos seus objetivos: LIBERDADE, IGUALDADE, pela educação do homem com a criação de sua universidade, e fraternidade pela união dos brasileiros em termos de um ideal supremo: a constituição de um pátria livre." E, na formação desse movimento é imprescindível citar a liderança de maçons, tais como: Álvares Maciel, Domingos Vidal Barbosa, José Joaquim da Maia,e outros mais, que se iniciaram na maçonaria, na Europa. José Álvares Maciel, Maçom iniciado na Europa, é considerado por todos os estudiosos o intelectual da Inconfidência Mineira.
Álvares Maciel. Álvares Maciel, nascido em VILA RICA, filho do guarda - mór da sede da capitania de Minas Gerais e de mãe mineira nascida em MARIANA, cursou a universidade de Montpellier então poderoso centro da irradiação da MAÇONARIA, onde deve ter ingressado na ordem maçônica a menos que já houvesse assim procedido em Coimbra, como ocorrera com outros estudantes brasileiros. Homem culto e idealista aceitou e cultivou imediatamente o princípio de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Maçonaria.
Desde lá pensava ele na emancipação da sua pátria distante onde não havia Liberdade e predominava a escravidão e a exploração pelos portugueses contra o preceito de Liberdade, bem como na existência de justiça e onde a FRATERNIDADE não era praticada, haja visto os suplícios impostos aos brasileiros. Com o desejo de ver a pátria livre, retorna Álvares Maciel ao Brasil, após empreender longas viagens e vários contatos com outros maçons como o venezuelano Francisco Miranda, maçom exemplar que havia contribuído com a independência de países latino-americanos, através da Loja Grande Reunião americana, por ele fundada em Londres. E escreve historiador JOAQUIM NORBERTO na sua obra: "História da Conjuração Mineira" - volume 1 - Página 81: " Vinha o jovem Maciel de países livres, onde adquiria instrução e onde fora iniciado nos mistérios da MAÇONARIA".
Após seu regresso, juntamente com estudantes brasileiros que também retornavam, empolgados pela ação humanitária e fraternal desenvolvida pela MAÇONARIA na Europa, no sentido de assegurar os direitos que dignificam o homem e na defesa da liberdade dos povos, cresce e se fortifica o movimento que mais tarde levou o nome de INCONFIDÊNCIA MINEIRA.
No retorno de ÁLVARES MACIEL ao Brasil, ocorreu para a felicidade e consumação do sonho de LIBERDADE o "encontro da intelectualidade com a bravura" - os ideais do homem culto e idealista com o caráter forte e exaltado do miliciano que conhecia o verdadeiro significado da palavra Liberdade e converteu-se num seu soldado fervoroso - o alferes JOAQUIM José da Silva Xavier - O TIRADENTES. Já que seus ideais eram idênticos, - um Brasil livre da escravidão, governado pelo seu próprio povo que faria suas próprias leis - estava concluída a principal fase da Inconfidência, conforme afirma o historiador Gustavo Barroso: "no Rio de Janeiro, TIRADENTES pusera-se em contato com um moço mineiro que regressava formado da Europa, o Dr. José Álvares Maciel, o qual segundo o depoimento de Domingos Vidal, estivera na Inglaterra, buscando apoio para o levante de Minas gerais." A partir daí, novos adeptos foram surgindo e as suas idéias foram disseminadas nas sedes das principais Capitanias.
Paralelamente aos acontecimentos que se desenvolviam no âmbito secreto das "sociedades" criadas por Álvares Maciel, caminhava Joaquim José da Silva Xavier - Tiradentes, com sua pregação cívica em prol da Liberdade. Homem simples, em comparação com aqueles que tiveram a oportunidade de estender seus conhecimentos nas universidades da Europa, nascido numa fazenda de Pombal entre São José (hoje Tiradentes) e São João Del Rei, Minas Gerais.
O jovem Tiradentes não fez estudos regulares, aprendendo as primeiras letras com seu irmão Domingos. Órfão aos 11 anos, ganhou o mundo: foi mascate, minerador e dentista prático, Aliás, sua alcunha adveio na habilidade com que manejava o boticão e como diz um historiador, que o fazia "com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais".
Daí a sua popularidade que se estendeu até o Rio de Janeiro. Tendo ingressado na vida militar - pertenceu ao regimento de Dragões de Minas Gerais - o que lhe permitiu conhecer palmo a palmo todo o território da capitania e já no posto de Alferes como comandante de patrulhas, mostrou-se sempre um bravo e destemido miliciano, desempenhando missões difíceis, que lhe valeram elogios do governador.

Entretanto a bravura e o destemor sempre demonstrados pelos "alferes", corriam pelo ar os pensamentos sólidos e alicerçados de Tiradentes, que com seu conhecimento do verdadeiro significado da palavra LIBERDADE, não se furtava em proclamá-lo, não só no território da capitania, mas também fora dele. Obviamente, que o procedimento de Tiradentes, como miliciano que era, aos olhos da coroa, não eram bem vistos e ainda mais, por estar participando das sociedades secretas então já existentes, valendo-lhe em conseqüência, perseguições como suspensão do soldo, preterição nas promoções e outras, culminando com seu deslizamento das milícias mineiras.
Sim, nenhuma dúvida pode restar, de que as sociedades secretas das quais participava Joaquim José da Silva Xavier, nada mais eram que a maçonaria. Portanto, Tiradentes havia ingressado nos mistérios da maçonaria e conseqüentemente era Maçom.
Aliás, vale a pena citar a esse respeito o que disse o historiador Joaquim Norberto em sua obra "História da Conjuração Mineira" - Tomo l - Página 96: "No dia 28 de agosto de 1.788 apresentou-se o alferes Joaquim José da Silva Xavier ao comandante do seu regimento, para dar parte de doente, pois com efeito chegara enfermo a Vila Rica.
Reteve-o a sua enfermidade em casa pelo espaço de três meses, suspenderam-lhe o soldo e teve ele que recorrer ao empenho da amizade que contraíra na cidade do Rio de Janeiro com o Dr. José Álvares Maciel. Era este jovem parente do tenente-coronel de seu regimento - Francisco de Paula Freire de Andrade e foi fácil obter o que desejava o pobre alferes. Renovou Tiradentes a prática que tivera com o Dr. Álvares Maciel na cidade do Rio de janeiro e conseguiu ser, por intermédio da sua pessoa, iniciada nos mistérios da conjuração, que desde muito tempo se tramava em Vila Rica".

Segundo alguns renomados historiadores, dentre os quais Tenório D'Albuquerque, possivelmente Tiradentes ingressara na maçonaria através de José Álvares Maciel, outros, contudo, admitem que José Joaquim da Silva Xavier, quando mascate se fez maçon na Bahia, numa das suas muitas viagens àquela localidade. Tudo faz crer que tenha sido iniciado em Minas, isso não é relevante, Bahia, Rio de Janeiro ou em Minas Gerais, não importa.
O que importa, neste momento é afirmar que Tiradentes foi maçon convicto e entusiasta, o que demonstrou nas suas andanças e na pregação das doutrinas maçônicas que se identificam com a Liberdade. É de se louvar o comportamento e o trabalho do destemido Maçom Tiradentes, arriscando a vida com sua pregação de Liberdade.
Participou de várias Lojas Maçônicas em Minas Gerais, com o apoio resoluto da maioria das populações, que viam na maçonaria, intransigente defensora da Liberdade, da dignidade, dos direitos do homem, um meio para reagir contra os desmandos dos prepotentes e contra as arbitrariedades daqueles que desonravam o poder.
O fracasso do movimento Inconfidência Mineira, que tinha como principal objetivo gerado pelo descontentamento e pela forma abusiva com que Portugal explorava as minas da capitania, bem como a delação pelo traidor Joaquim Silvério dos Reis, é por todos conhecido através da história. Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro a 10 de maio de 1.789 enquanto que em Minas Gerais, eram feitas prisões de todos os envolvidos no movimento. Iniciaram-se os trabalhos da devassa, que se arrastariam por longos anos e enquanto os demais integrantes da inconfidência mineira também presos, tratavam de se defender, muitos até mesmo negando responsabilidades com o movimento, Tiradentes as assumia integralmente, com silenciosa e serena bravura.
Não constou em nenhum auto nenhuma delação por parte do Alferes ou revelação dos nomes dos seus amigos de causa. Finalmente a 18/04/1792, foi prolatada a primeira sentença, condenando a morte por enforcamento a Tiradentes e mais 10 integrantes do movimento. No dia seguinte, ou seja, em 19/04/1.792 na cadeia publica, foi lida a sentença que o declarava único culpado da sedição, quando Tiradentes ouviu sem pestanejar, a sua condenação.

Após a leitura da sentença foi tornada pública a Carta-Régia, conservada em sigilo, segundo a qual D. Maria l deferia ao tribunal o poder de comutar a pena capital pela pena de degredo e por nova sentença de 20/04/1792, entenderiam os juizes que só não deveria ser poupado o "enfame réu" Joaquim José da Silva Xavier, considerado "indigno da real piedade".
A 21 de abril, com o aparato de costume naquela época, executou-se a infamante e absurda sentença, marchando Tiradentes para o sacrifício, sem que se alterasse a placidez do seu rosto e sofreu o martírio como um apóstolo da sacrossanta causa da liberdade e da redenção do Brasil. Enforcado e depois de morto, teve a cabeça cortada e levada a Vila Rica, onde em local mais concorrido, foi colocada sobre um poste, seu corpo esquartejado foi espalhado pelos caminhos de Minas em várias povoações até consumir-se totalmente, declarados infames seus filhos e seus netos, a casa em que vivia em Vila Rica, totalmente arrasada e na qual foi semeado sal, para que nunca mais se edificasse em seu solo, tudo em cumprimento a terrível condenação que lhe foi imposta.
Foi, portanto, Tiradentes, ao proceder maçonicamente e assumindo a heróica atitude que o levou a sofrer morte horrível e infamante, sem sombra de dúvidas, o primeiro Mártir maçon brasileiro publicamente conhecido a dar sua vida pela causa da liberdade da sua pátria.
Nêodo Ambrósio de Castro, M.'.M.'. - ARLS Benso di Cavour nº 28, Juiz de Fora - MG / Brasil

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS NO RECIFE

Feliz festas em Recife Com os verdes ramos da ARRUDA e as lindas flores do CAJUEIRO colhidas na VÁRZEA... Desejamos Esperança para todos os que se encontram AFLITOS, e consolo no Amor de Deus ao repicar dos sinos na TORRE anunciando a celebração do Natal! Para as famílias desejamos uma linda CASA AMARELA no CAMPO GRANDE ou, no SÍTIO DOS PINTOS com uma BOA VISTA das montanhas e do PRADO. Um gracioso regato de ÁGUA FRIA correndo em seu quintal, e que também seja uma CASA FORTE como as do Recife Antigo. Que jamais estejamos AFOGADOS em nossas angústias, nem atolados no BARRO lodoso de nossos conflitos, mas que sempre tenhamos a convicção inabalada de MADALENA, para tomarmos a decisão correta na ENCRUZILHADA de nossas vidas e a devida cautela no ESPINHEIRO das nossas dúvidas. Aos que partem, BOA VIAGEM, aos que chegam, a alegria de podermos compartilhar juntos uma NOVA DESCOBERTA nessa aventura da vida, como verdadeiramente DOIS IRMÃOS, após um merecido descanso nas AREIAS brancas à sombra de uma JAQUEIRA ou de um frondosa TAMARINEIRA. Decrete-se, pois, a Felicidade do ALTO DO CÉU já, para que estejamos sempre jubilosos nas GRAÇAS de Deus, com a Fé inabalável no imenso Amor do CORDEIRO. PERNAMBUCANAMENTE QUE TODOS OS RECIFENCES E BRASILEIROS TENHAM MUITA PAZ!!! QUE O BRASIL SEJA UMA PÁTRIA MELHOR PARA TODOS!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AS OBRAS DE SANTO AGOSTINHO


O Centro Cultural Casa da Memória acaba de receber uma valiosa doação do Dr. Ayrton Cardoso, Diretor-Presidente do Grupo SISA / SHOPPING COSTA DOURADA: Dezessete Livros escritos por Santo Agostinho, o maior intelectual da Igreja Católica. São Obras raras e que em breve estarão disponíveis para leitura e consulta da população. O Shopping Costa Dourada vem abrindo importante espaço para a cultura e este ano já aconteceram ali a Exposição fotográfica "UMA CIDADE DE TANTAS HISTÓRIAS", a Exposição do artista plástico LUZARCUS, lançamento do Livro "MARQUÊS DO RECIFE - O MORGADO DO CABO, abrigou reunião especial da ACADEMIA CABENSE DE LETRAS e agora faz a doação das importantes Obras de Santo Agostinho ao Centro Cultural Casa da Memória. Em Janeiro próximo, deverá acontecer no Shopping Costa Dourada o evento SENTIMENTOS POEMADOS, realização de Antonino Oliveira Júnior, com apoio do Shopping e da Academia Cabense de Letras.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

REVOLTADO

Filarmônica XV de Novembro Cabense (1927) - Theo Silva é o segundo, em pé, da esquerda para a direita. Um mulato adolescente.


REVOLTADO
Theo Silva
(1941)
  
Olhando a vida, indiferente a tudo,
Eu vou viver d’agora por diante,
Como um cipreste solitário e mudo
À margem de um riacho soluçante.

Como um grito perdido, bem distante,
Perdido na amplidão do mundo afora,
Eu quero ser de tudo ignorante
E em nada mais acreditar agora.

Viver assim com toda indiferença.
Um pálido sorriso de descrença
Para quem me falar em piedade.

Pois se a vitória da vida é o desdém,
Esse punhal eu saberei também
Cravar no coração da humanidade.

*Theo Silva é um dos Patronos da Academia Cabense de Letras

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

IVAN MARINHO CONSOLIDA NOME NA LITERATURA PERNAMBUCANA


IVAN MARINHO (à esquerda na foto) alagoano de nascimento e cidadão cabense por méritos, está cada vez mais consolidando seu nome no universo literário de Pernambuco. Ainda que tenha ganho concursos nacionais, é em Pernambuco que Ivan Marinho se afirma como um poeta de qualidade indiscutível, circulando seu nome nas rodas da elite poética do Estado.

Nestes dois anos alguns poemas de sua autoria foram contemplados em quatro coletâneas, duas a nivel nacional e duas no estado de Pernambuco.

Primeiro foi o poema Fragmento do Acaso que, após ser selecionado entre os vinte que comporiam a coletânea Solano Trindade do SINTEPE (Sindicato do Trabalhadores em educação de Pernambuco) no ano de 2009, foi selecionado também para Antologia di I Concurso de Poesia Amigos do Livro/ Flipoços (Poços de Caldas - SP) entre 3450 inscritos, figurando entre os quarenta.

Este ano, o poema PROFESSOR EM PERNAMBUCO ficou entre os selecionados para a coletânea do SINTEPE 2010 e os poemas Fragmento do Acaso, Alberto da Cunha Melo e Poesia IV compuseram a antologia PERNAMBUCO, TERRA DA POESIA da Carpe Diem Edições e Produções, organizada por Antônio Campos e Cláudia Cordeiro, Lançado na FLIPORTO 2010, onde se reune poemas de pernambucanos ou imigrantes fixados em Pernambuco desde o século XVI, como Bento Teixeira, de 1550. O livro tem 757 páginas e reune, entre outros, poetas como Carlos Pena Filho, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Alberto da Cunha Melo, Jaci Bezerra, Marcus Accioly, Ângelo Monteiro... e o alagoano e cidadão cabense.
POESIA IV foi um dos poemas laureados:


POESIA IV

Ivan Marinho

E se me disponho entre o azul e o tempo
É porque não a tenho e ainda procuro,
Contando dias, horas e minutos
Como quem marca a vida na parede.

Com braços abertos tu me aguardas
E teus olhos me fitam piedosos
E, no instante, dás-me a eternidade
E a certeza de que estás à frente.

Flores que te vestem de perfume.
Águas que derramam teus cabelos.
Passos incontáveis e a distância
Dos lábios abertos para mim.

Quanto mais desejo, menos quero:

Antinomia entre se ter ou ser
Pois, se tenho a ti, o vôo toma as asas
Mas, se sou teu, tu pousarás em mim
Tornando cinzas o que eram brasas.

Ivan Marinho é membro da Academia Cabense de Letras.

LANÇAMENTO DO LIVRO IGREJA X MAÇONARIA

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

MOURA DO PORTAL, TEU LEGADO FOI LEGAL



A cidade do Cabo vem compondo-se a cada dia num novo cenário demográfico

Econômico e cultural. Recebemos famílias inteiras, homens trabalhadores atraídos por um oásis industrial. Boas ou não, todas as oportunidades de empregos, a verdade é que viramos uma verdadeira ímã. Brasileiros de diversas regiões são atraídos em busca da felicidade e do mínimo de conforto e estabilidade.

São novos sotaques, crenças e valores se incorporando ao que chamaremos dentro em breve de o novo Cabo de Santo Agostinho.

Moura foi um desses “imigrantes” que aqui aportou. Paulista, instalou-se como micro empresário no Loteamento Cidade Garapu e logo deixou claro que aqui chegou para fazer trocas. Não apenas a do seu suor pelas grades e janelas que majestosamente, no ofício de ferrreiro, confeccionava, mas como cidadão que compreende seu papel logo quando chega ao mundo, esteja onde estiver, como são os de consciência cosmopolita. Como são os que têm clareza de suas missões.

O vi, o li e o acompanhei em alguns momentos. Sou testemunha do seu compromisso com lutas em defesa dos que mais precisam, e que as vezes apenas precisam apenas de uma voz. Moura foi em muitas ocasiões essa voz que denunciou atos e comportamentos que feriram a vida em seus valores materiais e espirituais. E foi além, participava e se entregava de corpo e alma.

Moura tinha a curiosidade de uma criança, a energia de um adolescente, a sagacidade de um adulto e a serenidade de um idoso, que o fez impar, polêmico, corajoso, denunciante, questionador...

Ele foi um desses novos filhos que enxergou nossa cidade como mulher, como mãe, como Santa Maria de La Consolácion, que merece respeito, defesa e proteção. Agora, entregou seu corpo a nossa terra e sua alma para Deus, sem vácuo, pois que seu legado deixa um exemplo de amor por uma cidade que também aprendeu a amá-lo.

Até breve Moura.

Jairo Lima é membro da Academia Cabense de Letras

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PAULO ALEXANDRE DA SILVA – Um olhar sobre a poesia social, lírica, existencial


Natanael Lima Jr*

Paulo Alexandre da Silva foi detentor de uma palavra vigorosa e despojada de qualquer retórica formal, rançosa e altissonante: “a palavra que nomeia, a palavra que traduz, a palavra que semeia” – estas foram a munição do poeta.

Foi um poeta engajado, adaptava sua ação às suas ideias, e o fazia cotidianamente. Sempre encarou a poesia como meio de expressão legítima de suas crenças humanísticas, sociais, filosóficas e políticas. Por isso sua voz foi sincera, vibrante e capaz de contagiar o leitor em sua concisão viril e nunca panfletária.

Sua poesia se concentra basicamente em três linhas: nos poemas de temática social, nos de feição lírica e existencial.

A variedade temática que ele abordou na sua intensa produção poética multifacetada, não significou dispersão, mas domínio seguro de um fazer poético que de poema para poema se adensa e se refina. Paulo Alexandre tem assim a singularidade, entre todos os novos poetas do Brasil.

*poeta e membro da Academia Cabense de Letras e da Academia de Estudos Literários e linguísticos de anápolis (GO)

EXPOSIÇÃO SOBRE VIDA E OBRA DE PAULO ALEXANDRE DA SILVA

DIA: 05/11/2010

LOCAL: CÂMARA DE VEREADORES DO CABO DE SANTO AGOSTINHO

HORA: 19h30

EXPOSITOR: NATANAEL LIMA JR

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

OS ESCRAVOS

Um Pensamento Maçônico sobre a liberdade.

É com enorme prazer que escrevo a apresentação deste livro de Antonino Júnior, principalmente, por se tratar de um confrade, amigo e irmão no combate à ignorância, ao preconceito, a injustiça e a corrupção.

Trata-se de uma obra literária, que apesar de ter sido feita em 1971, clama por uma reflexão na questão relacionada aos “escravos”, um tema sempre atual, principalmente se focarmos o grande número de excluídos, que ainda hoje preponderam em nosso país. E, Antonino Júnior mostra de forma bela e poética a sua obra, este texto épico, político, sem se limitar a visões partidárias ou em defesa de políticos, sendo inclusive, perseguido durante os anos de chumbo da Ditadura Militar; hoje mostrando, apesar dos imbróglios atuais, que o homem continua na sua constante luta em busca da liberdade de escolha e de sua autoafirmação.

Um lindo livro, tanto em conteúdo quanto na forma diferente em que foi elaborado para o teatro com poesias harmônicas e simples, porém, de uma profundidade sem precedentes. Através destes recursos poéticos, Antonino Júnior procura reproduzir a oralidade do discurso exaltado das declamações nos palcos. Os versos fazem ressoar e traduzir o constante movimento das forças antagônicas, um verdadeiro deleite.

"Esperar", disse Vandré, "não é saber" e em palavras inspiradas, ele sentenciou: "Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer". Antonino Júnior que muito cedo, enveredou pelos caminhos do teatro e da literatura, logo descobriu, que quase não havia material para desmistificar este tema, já tão controverso. Muitos ficaram esperando que alguém resolvesse o problema, Antonino Júnior, porém, “não esperou acontecer”. Foi e fez.

A Loja Maçônica Alvorada da Paz nº 10, do Cabo de Santo Agostinho-PE, sente-se orgulhosa, através da obra do Ir.’. Antonino Júnior, em participar das homenagens que o Brasil com muita justiça, presta ao grande abolicionista e Ir.’. Joaquim Nabuco, no centenário da sua passagem para o Oriente Eterno.

João Sávio Sampaio Saraiva é membro da Academia Cabense de Letras e Venerável Mestre da Loja Maçônica Alvorada da Paz nº 10.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CID FEIJÓ SAMPAIO

Morreu na madrugada desta quinta-feira (30/09/2010) no Recife (PE), aos 99 anos, o ex-governador de Pernambuco Cid Sampaio. Segundo a assessoria de imprensa do Real Hospital Português de Beneficência, o corpo de Sampaio foi encaminhado, às 6h30, ao cemitério Morada da Vida, em Paulista (PE), onde será velado.

Cid Feijó Sampaio nasceu no Recife, no dia 7 de dezembro de 1910. Engenheiro formado e usineiro iniciou sua vida política através da União Democrática Nacional (UDN), partido pelo qual disputou e venceu as eleições para o governo de Pernambuco em 1958, tendo o apoio de Luís Carlos Prestes e Gregório Bezerra, ambos do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Exerceu o cargo de governador entre 1959 e 1962.

Após o golpe militar de 1964, Cid Sampaio filiou-se à ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e foi eleito deputado federal por Pernambuco em 1967. Em 1978, disputou as eleições para o senado por uma sub-legenda da ARENA, porém não se elegeu. Em 1982, integrando a chapa do PMDB tentou novamente, mas não conseguiu se eleger. Com a morte de Nilo Coelho, em 9 de novembro, Cid Sampaio, assumiu a vaga no senado, ficando até o final do mandato, em 1987.

Como governador, desenvolveu uma campanha em todo o Estado para aumentar a arrecadação de impostos e inibir a sonegação. Notas fiscais eram trocadas por papéis da Coperbo, uma indústria de borracha sintética instalada no Cabo de Santo Agostinho na Região Metropolitana do Recife. A estatal, criada por Cid Sampaio, foi vendida à Petrobrás. Dirigiu várias entidades representativas de empresários pernambucanos, sendo presidente da Federação das Indústrias e do Sindicato das Indústrias de Açúcar de Pernambuco.

Foi presidente da seção Pernambuco da UDN e um dos controladores no Estado de partidos como PL (Partido Liberal) e o PDC (Partido Democrata Cristão).
 
fonte: ALEPE

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

UMA CIDADE DE MUITAS HISTÓRIAS


A foto é da Rua Dr Antônio de Souza Leão.

Uma importante parceria começa a se desenhar entre a Casa da Memória do Cabo e a Fundação Joaquim Nabuco. O Coordenador do Projeto, Antonino Oliveira Júnior anuncia para Novembro uma Exposição intitulada "UMA CIDADE DE MUITAS HISTÓRIAS", já com apoio da Fundaj e, também a parceria com o Shopping Costa Dourada, Supermercados Arco-Íris, ACEC, etc.

Antonino pretende expor todo o acervo da Casa da Memória do Cabo, através de fotos, documentos, objetos, livros, etc., que contam a rica história da cidade, de Pinzón aos grandes empreendimentos de hoje.
 


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PARA QUEM TEVE A SORTE DE TER VIVIDO O E NO RECIFE...




Não custa nada relembrar!
Para quem viveu o Recife em outros tempos.
Pena que nossas crianças jamais saberão como foi!!!!

ALGUMAS LEMBRANÇAS DAQUELE TEMPO...

- Adorávamos ver avião na mureta do Aeroporto dos Guararapes;

- Comprávamos LP's na "A Modinha" e depois na "AKY Discos";

- Comprávamos roupas na Don Juan e nossas irmãs na ELE e ELA;

- Comíamos filet à Califórnia ou 1/2 "parmé", na Cantina Star, só de madrugada;

- Esperávamos com ansiedade o evento "Vamos abraçar o sol";

- Escutávamos futebol com Ivan Lima na P.R.A.8, Rádio Clube de Pernambuco;

- Assistíamos "Você faz o Show" e "Noite de Black-Tie"...

- Queríamos um Puma, MP Lafer ou Santa Matilde para ir ao "Encontro de Brotos" do Internacional;

- Vimos o Papa no Joana Bezerra;

- Tínhamos medo de Biu-do-Olho-Verde, Galeguinho do Coque, da Perna Cabeluda e do Biu do Alicate;

- Vimos a rainha Elizabeth, num Rolls Royce paraguaio na AV. Boa Viagem, transpirando que nem um calunga de caminhão;

- Jogávamos ovos nos jogos estudantis, nas quadras do: Salesiano e do Nóbrega;

- Natação e Atletismo, claro, no Português e no Derby;

- Nossas namoradas usavam maiôs "engana-papai" e "engana-mamãe" e a gente morria de ciúmes;

- Comíamos "bauru" no Bar do Derby, enquanto os moleques davam um trato em nossos carros com tala- largas e rebaixados;

- Adorávamos ver o peixe-boi na Praça do Derby e os jacarés do parque 13 de Maio;

- Águas Finas e Sete Casuarinas, em Aldeia, faziam parte do circuito;

- Assistimos aos "Globetrotters" e ao "Holiday On Ice" no Geraldão, sem falar em Ray Conniff e Bat Masterson no Clube Português;

- Assistimos "Aeroporto 77" no cinema Moderno;

- No nosso tempo, o Campeonato Pernambucano tinha times como o Ferroviário, o Santo Amaro (Vovozinha), o Íbis, e o América;

- Tomávamos muito guaraná Fratelli Vita e Laranjada Cliper no restaurante Veleiro, em Boa Viagem;

- Tínhamos nosso lado inocente de brincar de Pêra, Uva ou Maçã, às vezes com salada mista;

ALGUNS HÁBITOS DAQUELE TEMPO...

- Jogar boliche no Bola Boliche, na Av. Barão de Souza Leão;

- Fazer uma bomba de cano de PVC no carnaval e perturbar até os outros se irritarem;

- Brincar Carnaval no Corso, na Rua da Concórdia e na Conde da Boa Vista num jipe sem capota ou num Galaxie sem portas, à noite, claro, Internacional ou Português;

- Tomar banho de mar em Boa Viagem (sem tubarão) com bóia feita de câmara-de-ar de caminhão, no posto 4 (quem tinha vergonha ia pro terminal);

- Ir aos sábados às 10 horas para a Sessão Bossa Jovem, no Cinema São Luiz ou para a Joveneza, no Veneza;

- Matinês dos Cines Ritz e Astor, na Visconde de Suassuna vendo filmes como "Love Story", "Uma Janela Para o Céu" e "Um Dia de Sol" (quem diria);

- Festas (que se chamavam ASSUSTADOS) nas garagens das casas, com luz negra e estopa de polimento nas paredes, pra dar efeito "especial", ouvindo "Yellow River","Mandy" ou Elas por Elas Internacional;

- A única bebida alcoólica na época era rum-com-coca ( Cuba Libre);

- Tomar sorvete na Fri-Sabor (perto do Colégio Salesiano), ou na Gemba (mais antiga), até lançaram o Zeca's; - Dançar no Xixi-Girl, da Boate Ferro-Velho em Piedade;

- Assistir ao desfile de 7 de Setembro, na Conde da Boa Vista; >

- Dançar forró na Casa dos Festejos da Torre;

- Lanchar na Karblen, da Rua do Sossego e na Casa Matos, da Rua da Nova;

- Freqüentar a Feirinha da Praça do Entroncamento, os bares Cravo e Canela, Acochadinho (em Olinda), Fundo do Poço, Senzala, Água de Beber, Chaplin, Bar do Ninho também em Olinda e o "Depois do Escuro" na Torre;

- Assistir aos shows no Circo Voador, no bairro do Recife;

- Comer "chocolate peixinho", embrulhado em papel dourado, prateado, vermelho, bala "Gasosa" e

Nego Bom;

- Fumar Du Morrier, o cigarro do Kojak;

- Ouvir o compacto simples Je T'aime (do filme Emanuelle I);

- Tomar Coca-Cola em garrafinhas pequenas, do mesmo tamanho do Guaraná Caçula (Antarctica), Clipper ou Mirinda;

- Fazer pic-nic aos domingos, no Horto de Dois Irmãos;

- Divertir-se nos brinquedos da FECIN (nossa Disneyworld) e escorregar no tobogã da rua da Aurora;

- Passear na lancha da CTU, no rio Capibaribe;

- Os bares e/ou boates Samburá, Zé Pequeno, Eu e Tu e ainda o Las Vegas eram uma farra;

- Baile dos Artistas no Batutas de São José todo mundo gostava (problema era quando começava uma briga

pra descer por aquela escadinha estreita);

ALGUNS LOCAIS DAQUELE TEMPO...

- Casa-Navio, na Av Boa Viagem;

- Os melhores cinemas eram o São Luiz, Moderno, Trianon, Art Palácio e o Veneza;

- Nos bairros, os cinemas também eram comuns, tais como Cine Eldorado (Largo da Paz), Cine Torre, Cine

Rivoli (Casa Amarela), Cine Coliseu (Rosa e Silva), Cine Vera Cruz (Campo Grande),Cine Brasil (Cordeiro),

e o Cine Guararapes (Areias);

- O DETRAN era no Cabanga entre as duas pontes (que por sinal, durante muito tempo só havia uma...);

- A Av. Boa Viagem tinha mão-dupla, desde o Pina. Após o Hotel Boa Viagem, só haviam duas faixas, as

outras duas eram de areia da praia;

- Além da Viana Leal, Mesbla e Sloper valem lembrar da Girafa (O Centro da Moda), das tradicionais Casas

José Araújo (Onde quem manda é o freguês) da Primavera, além da Casa do Mate(o melhor mate batido

com limão, com leite ou com maçã...);

- E a árvore (baobá) na Cons. Portela, ao lado da igreja do Espinheiro, que tombou para sempre ???

- A Liberdade de andar nas ruas livres, soltos, sem temer a violência que hoje toma conta de nossa cidade,

que saudade!

Se você viveu alguma dessas situações acima, não se preocupe, você não está velho...

Você é um felizardo, pois viveu o Recife como ninguém pode fazer mais !!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CONDE DA BOA VISTA (Francisco do Rego Barros)

Francisco do Rego Barros, Barão, Visconde e depois Conde da Boa Vista, nasceu no dia 3 de fevereiro de 1802, na cidade do Cabo, no Engenho Trapiche, de propriedade de seus pais Francisco do Rego Barros, Coronel de Milícias e Mariana Francisca de Paula do Rego Barros. Estudou com professores particulares no engenho onde nasceu e desde muito cedo interessou-se pela carreira militar. Em 1817, com apenas quinze anos de idade, alistou-se no Regimento de Artilharia do Recife. Em 1821, já como cadete do Exército do mesmo Batalhão, participou do movimento conhecido como a Revolução de Goiana, encerrada com a Convenção do Beberibe, em outubro do mesmo ano. Foi preso e enviado para a fortaleza de São João da Barra, em Lisboa, Portugal, onde foi mantido até 1823. Posto em liberdade, viajou para Paris, bacharelando-se em Matemática. De volta a Pernambuco, dedicou-se à política. Com apenas 35 anos de idade, em 1837, foi designado presidente da Província de Pernambuco, ficando no cargo até 1844. Tendo sido educado em Paris, estava decidido a modernizar e higienizar o Recife. Seu governo operou transformações materiais e culturais importantes para a Província. A vida da cidade ganhou em animação e teve um progresso até então nunca vistos. Francisco do Rego Barros mandou buscar engenheiros franceses de renome, incentivou as artes e as ciências, levando o Recife ao conceito das grandes cidades modernas da época. Foram construídas estradas ligando a capital às áreas produtoras de açúcar do interior; a ponte pênsil de Caxangá, sobre o rio Capibaribe; o Teatro de Santa Isabel; o edifício da Penitenciária Nova, depois chamada de Casa de Detenção do Recife, onde funciona hoje a Casa da Cultura; o edifício da Alfândega; canais; estradas urbanas; um sistema de abastecimento d’água potável para o Recife; reconstrução das pontes Santa Isabel, Maurício de Nassau e Boa Vista. Mandou construir aterros para a expansão da cidade, sendo o mais importante deles o da Boa Vista que partia da Rua da Aurora rumo à Várzea, chamada de Rua Formosa, continuada pelo Caminho Novo que, a partir de 1870, recebeu o nome de Av. Conde da Boa Vista. Em 1842, foi agraciado com o título de Barão, promovido a Visconde, em 1860 e elevado a Conde da Boa Vista, em 1866. Foi eleito senador, em 1850 e, em 1865, designado presidente da Província do Rio Grande do Sul, acumulando as funções de Comandante das Armas, estando aquela província já envolvida na Guerra do Paraguai. Sentindo-se doente e sofrendo com problemas hepáticos, retornou ao Recife no início de 1870, onde morreu no dia 4 de outubro, na sua residência, situada no número 405 da Rua da Aurora, onde está localizada, hoje, a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco. Recife, 22 de julho de 2003. (Atualizado em 25 de agosto de 2009). FONTES CONSULTADAS: GUERRA, Flávio. O Conde da Boa Vista e o Recife. Recife: Fundação Guararapes, 1973. SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Secretaria de Educação, Departamento de Cultura, 1982. p. 201-205. Lúcia Gaspar: Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

SEXTA DE LETRAS

Acontece nesta sexta-feira, às 19 horas, a segunda edição do Projeto Sexta de Letras, da Academia Cabense de Letras. O evento acontece na Câmara de Vereadores do Cabo de Santo Agostinho, e terá a palestra do Professor e acadêmico Douglas Menezes, sobre a Obra de Graciliano Ramos.

É mais uma oportunidade para que a população chegue mais perto da Academia Cabense de Letras. Após a palestra, segue-se o debate, com intervenções dos acadêmicos e, num terceiro momento, com a participação dos presentes.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

UM POUCO DE GABRIEL DOURADO


UM CANTO EM SURDINA

Gabriel Dourado

Cidade de minha infância,
Dos meus sonhos de rapaz,
Dos meus primeiros amores

-dize-me agora,
Aonde vais?

Cidade quase sem ruas,
Apertadinhas demais,
Cidade das boemias,
Dos verdes canaviais
(como aquelas...nunca mais!)

Terra do meu romantismo,
Dos engenhos patriarcais,
Do São João de seu Zumba,
Das loas de Inácio Pais,
Das glosas de Mergulhão,
Chico Taboca e Caju,
De seu “Vigário sem crôa”,
Dos coqueiros de Gaibu.

Cidade das serenatas,
Das cantigas ao luar,
Cidade de tanta história
Sem nenhuma prá contar...

Cidade da minha infância,
Dos verdes canaviais
-Minha cidade querida,
Dize-me agora,
Aonde vais?

MEU CAMBUCÁ
Gabriel Dourado

Eu não sonho palácios agressivos,
De colunatas de oiro
De repuxos multicores,
De frisos cintilantes
E mármores nervosos,
Nem grandeza loira de moeda esterlinas,
Nem a glória de ser grande pela vida!

Quero ser simples,
Vivo imaginando uma vida interior,
Uma existência calma,
Despreocupadamente assim,

Numa casinha,
Toda bonitinha,
Toda caiadinha,
Onde existam palmeiras no terreiro
E verbenas florindo no jardim.

Eu quero, meu amor,
Para o futuro,
Ver-te assim
Como um cambucá maduro,
Aromado e saboroso,
Bem pertinho de mim...
1939

DEZ ANOS DEPOIS
Gabriel Dourado

Vem! Dá-me a tua mão. Vamos andar
Por estas alamedas inclinadas.
Ah! Como é bom a gente recordar
Enternecido, as emoções passadas.

Aqui, repara, andamos de mãos dadas,
Tranqüilos, pensativos a sonhar.
Que saudade das nossas caminhadas,
Do teu lenço, de longe, a me acenar...

Rosas, boninas, musgos, trepadeiras,
O mesmo quadro antigo, benfasejo,
A ponte, um rio de altas ribanceiras.

Fecho os olhos, relembro a tua fala,
“a carícia emotiva do teu beijo”,
Teu vestido de renda, cor de opala...
1949

ROMANTISMO
Gabriel Dourado

Num tranqüilo subúrbio da cidade,
Floriu nossa casinha iluminada,
Casa de gente cheia de humildade,
Onde pões tua graça, Flor amada!

Por dentro vivem tuas mãos de fada
Na ternura das coisas. Sem vaidade,
Vais me dando estes cantos de alvorada,
Em vinte anos de angélica bondade.

A casa fica bem numa travessa,
Entre árvores e flores, e mais essa
Harmonia por todos nós sonhada.

Cantando andei por todo esse caminho,
Vivi meu sonho e não vivi sozinho,
Segui teus passos, sem querer mais nada.
1959

GABRIEL DOURADO nasceu na Cidade do Cabo. Era formado em Odontologia, foi casado e pai de cinco filhos. Teve intensa vida intelectual e foi um dos fundadores do Grêmio Literário Cabense, entidade que marcou época na cidade e, pode-se dizer, foi o embrião da Academia Cabense de Letras. Escreveu poemas e sonetos importantes e teve em UM CANTO EM SURDINA o seu mais famoso trabalho literário. Como das outras vezes, estamos oferecendo aos nossos leitores a oportunidade de conhecer de perto um dos grandes poetas e intelectuais do passado de nossa cidade.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SEXTA DE LETRAS


Será nesta sexta-feira, dia 6 de agosto, às 19 horas, o lançamento do Projeto "SEXTA DE LETRAS", da Academia Cabense de Letras. O evento acontece na Câmara de Vereadores do Cabo e se repetirá toda primeira sexta-feira de cada mês.


O Projeto abre as portas das reuniões da Academia, possibilitando à população conhecer as reuniões dos acadêmicos. Na primeira sexta, dia 6 de agosto, haverá palestra do Acadêmico Nelino Azevedo, sobre "A Educação Libertadora de Paulo Freire" e um debate entre os acadêmicos e um espaço que será dedicado à participação do público.

A programação até Dezembro de 2010 é a seguinte:

6 de agosto: A EDUCAÇÃO LIBERTADORA DE PAULO FREIRE (Nelino Azevedo)

3 de setembro: A OBRA DE GRACILIANO RAMOS (Douglas Menezes)

1 de Outubro: JOSUÉ DE CASTRO E A GEOGRAFIA DA FOME (Frederico Menezes)

5 de Novembro: A OBRA DE PAULO CULTURA (Natanael Lima Júnior)

3 de Dezembro: ESPERANTO LÍNGUA INTERNACIONAL (Vera Rocha.

terça-feira, 3 de agosto de 2010



sexta-feira, 30 de julho de 2010

FILOSOFIA DA RENASCENÇA

(do século XIV ao século XVI) É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na idade média e de novas obras de Aristóteles, que passam a ser lidas em grego e a receber novas traduções latinas, mais acuradas e fiéis. A época também se dedica a recuperação das obras de grandes autores e artistas gregos e romanos e à imitação deles. São três as grandes linhas de pensamento que predominavam na Renascença: a) Aquela proveniente da leitura de três diálogos de Platão (Banquete, Fédon e Fedro), das obras dos filósofos neoplatônicos e da descoberta do conjunto dos livros do hermetismo ou da magia natural, que se supunham terem vindo do Egito, escritos séculos antes de Moisés e de Platão, ditados por deuses e seus filhos humanos. A natureza era concebida como um grande ser vivo, dotada de uma alma universal (a alma do mundo) e feita de laços e vínculos secretos entre todas as coisas, unidas por simpatia e desunidas por antipatia. O homem era concebido como parte da natureza e como um microcosmo no macrocosmo (isto é, um pequeno mundo que espelha e reproduz a estrutura e a vida do grande mundo, ou o Universo) e por isso pode agir sobre o mundo e por meio de conhecimentos e práticas que operam com as ligações secretas entre as coisas, isto é, por meio da magia natural, da alquimia e da astrologia. b) Aquela originária dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa (a política) e defendia a liberdade das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico, isto é, contra o poderio dos papas e dos imperadores. Na defesa da liberdade política, recuperaram a idéia de República, tal como esta aparecia nas obras dos grandes autores políticos latinos, como Cícero, Tito Lívio e Tácito, bem como nos escritos de historiadores e juristas clássicos e, propuseram a “imitação dos antigos” ou o renascimento de república livre, anterior ao surgimento do império eclesiástico. c) Aquela que propunha o ideal de homem como artífice de próprio destino, tanto por meio dos conhecimentos (astrologia, magia, alquimia), como por meio da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, poesia e teatro). Essas três grandes linhas de pensamento explicam porque se costuma falar em humanismo como traço predominante da Renascença, uma vez que nelas o homem é valorizado, colocado como centro do Universo, defendido em sua liberdade e em seu poder criador e transformador. A intensa atividade teórica e prática dessa época foi alimentada com grandes descobertas marítimas, que garantiam ao homem o conhecimento de novos mares, novos céus, novas terras e novas gentes, permitindo-lhe ter uma visão crítica de sua própria sociedade. Essa efervescência cultural e política levou a críticas profundas à igreja Romana, culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e de pensamento. À Reforma a Igreja Romana respondeu com a Contra-Reforma e com o aumento do violento poder da Inquisição. Os nomes mais importantes desse período são: Dante, Marcílio Ficino, Giordano Bruno, Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo, Tomás Morus, Jean Bodin, Kepler e Nicolau de Cusa. Chauí, Marilena; Convite à Filosofia. São Paulo. Atica, 2005.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

UMA ELEIÇÃO MEMORÁVEL

Douglas Menezes
Corria o ano de 1972. Anos de chumbo aqueles daquela década. Tortura, mortes e medo, muito medo. Ser oposição ao regime militar era tarefa para fortes, para as pessoas que possuíam, acima de tudo, uma consciência democrática e capacidade de doação acima de suas conveniências pessoais. Aquelas que são úteis e imprescindíveis porque lutam a vida inteira. São os que sacrificaram a própria vida para que hoje respiremos os ares democráticos da ainda incipiente democracia brasileira.
Pois bem. Naquele ano, haveria eleição para prefeito. Forma que a ditadura encontrou para dar um feitio democrático ao regime de exceção, já que não havia pleito nem para governador, presidente ou governante das capitais. E a cidade do Cabo de Santo Agostinho era uma das mais visadas pela sua importância econômica e, sobretudo, por sua politização e pelo fato representar um dos centros da resistência democrática. Uma cidade em que o governo não admitia sair derrotado.
Já naquela época, o instituto da sublegenda funcionava a todo vapor. Instrumento criado para dificultar o avanço da oposição ao regime, consistia na soma de votos de um partido que poderia eleger um candidato mesmo sendo ele o menos votado. Com isso, o governo lançou, na eleição do Cabo, dois candidatos: José Feliciano de Barros e Vicente Mendes Filho, pela Arena, partido governista; enquanto a oposição ia de Lúcio Monteiro e José Ribeiro de Jesus.
Sem dinheiro, usando um fusca velho e um banquinho para fazer discurso, Lúcio Monteiro conseguiu empolgar o povo, desbravando o caminho para a renovação política do Cabo, além de um aspecto importante: o apelo à conscientização política, abrindo espaço para que o poder econômico influísse menos na eleição. Uma campanha memorável. Lúcio teve mais de cinco mil votos, ganhou do segundo colocado com uma diferença de quase mil e quinhentos votos mas perdeu, porque a soma dos dois candidatos da Arena suplantou sua votação. No entanto, a lição ficou. Uma década depois, um político de esquerda ganhava as eleições no Cabo: Elias Gomes iniciava uma nova era na política cabense.
Os cabenses um pouco mais velhos não podem esquecer esse fato histórico. Após o resultado das urnas, Lúcio foi carregado pelas ruas da cidade, nos braços do povo, que gritava seu nome. Há derrotas que de tão emblemáticas parecem vitórias, pelo seu sentido épico, por representarem a possibilidade real de mudança e a chegada de um futuro melhor para as pessoas. Isto aconteceu e eu vi.
Cabo, 28 de junho de 2010.
*Douglas Menezes é membro da Academia Cabense de Letras.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

VOTO DE APLAUSO À CASA DA MEMÓRIA

Casa Grande do Engenho Boa Vista (hoje em ruínas)* No dia do Museu, 18 de maio, a Câmara de Vereadores aprovou, por iniciativa do Vereador Ricardinho, um Voto de Aplausos para o Centro Cultural Casa da Memória, curador e organizador do acervo da Casa da Memória do Cabo de Santo Agostinho, que, apesar da importância do acervo, ainda não foi viabilizada. Segundo Antonino Oliveira Júnior, idealizador do projeto, "A Casa da Memória nada tem a ver com os museus tradicionais, mas, é um organismo vivo, que resgata a história mais antiga e começa a escrever a história contemporânea do município. Infelizmente, o ranço político vem impedindo que ela chegue às mãos do povo cabense".

CELINA DE HOLANDA

Jornalista e poeta, Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque nasceu no município do Cabo, a 19/06/1915, tendo depois se transferido para o Recife, onde atuou na imprensa. Publicou seus primeiros poemas nos suplementos literários do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco e o primeiro livro (O Espelho e a Rosa) foi editado quando ela tinha 55 anos de idade. Além de participar de várias coletâneas (Palavra de Mulher, A Cor da Onda por Dentro, Antologia Didática de Poetas Pernambucanos, entre outras), sua obra é composta pelos seguintes livros: O Espelho e a Rosa (1970); A Mão Extrema (1976); Sobre Esta Cidade de Rios (1979); Roda D'água (1981); As Viagens (1984); Pantorra, o Engenho (1990); Viagens Gerais, de 1985, coletânea dos livros anteriores e mais os inéditos "Afogo e Faca" e "Tarefas de Ninguém". Morreu no Recife, a 04 de junho de 1999. O LIMITE Vi os que lutam contra a opressão sendo opressores (não há claros limites entre uns e outros) e disse : ai de nós os que comemos juntos, se não partilhamos (só alguns têm certeza da comida sinal forte de felicidade para os que têm fome). Ai de nós por essa consciência de puros sem nada para ser perdoado como o Publicano e o Bom Ladrão. LA LIMITE J’ai vu ces que luttent contre l’oppression étant des oppresseurs (il n’y a pas de claires limites entre les uns et les autres) et il a dit : aie de nous qui mangeons ensemble, si nous ne partageons pas (à peine quelques-uns ont la certitude de la nourriture signe fort de bonheur pour ceux qui ont faim). Aie de nous pour cette conscience de purs sans rien pour être pardonné comme le Publicain et le bon Ladron. (Da antologia bilingüe “Poésie du Brésil”, seleção de Lourdes Sarmento, edição Vericuetos, como nº 13 da revista literária francesa “Chemins Scabreux”, Paris, setembro de 1997.Traduções de Lucilo Varejão, Maria Nilda Miranda Pessoa e outros.) Publicado em setembro de 2008 MERIDIANO Vivemos a grande noite. Cada amor em seu amor se oculta. Quem nos roubou a ternura escondida? O corpo claro e diurno? Como os animais e as crianças um dia a vida será só vida. A PEDRA Nesta mesa o povo está sentado. Não divaga. Tudo o de que necessita é perto e urgente. Frio e direto, toma a pedra que sou e quebra. Vai construir o mundo. "Não sei de muitas vozes poéticas femininas que se equiparem à sua, pela limpidez do sentimento reflexivo e pela discrição da palavra." Carlos Drummond de Andrade “Se apago esta paixão talvez me apague.” Celina de Holanda