(do século XIV ao século XVI)
É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na idade média e de novas obras de Aristóteles, que passam a ser lidas em grego e a receber novas traduções latinas, mais acuradas e fiéis. A época também se dedica a recuperação das obras de grandes autores e artistas gregos e romanos e à imitação deles.
São três as grandes linhas de pensamento que predominavam na Renascença:
a) Aquela proveniente da leitura de três diálogos de Platão (Banquete, Fédon e Fedro), das obras dos filósofos neoplatônicos e da descoberta do conjunto dos livros do hermetismo ou da magia natural, que se supunham terem vindo do Egito, escritos séculos antes de Moisés e de Platão, ditados por deuses e seus filhos humanos. A natureza era concebida como um grande ser vivo, dotada de uma alma universal (a alma do mundo) e feita de laços e vínculos secretos entre todas as coisas, unidas por simpatia e desunidas por antipatia. O homem era concebido como parte da natureza e como um microcosmo no macrocosmo (isto é, um pequeno mundo que espelha e reproduz a estrutura e a vida do grande mundo, ou o Universo) e por isso pode agir sobre o mundo e por meio de conhecimentos e práticas que operam com as ligações secretas entre as coisas, isto é, por meio da magia natural, da alquimia e da astrologia.
b) Aquela originária dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa (a política) e defendia a liberdade das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico, isto é, contra o poderio dos papas e dos imperadores. Na defesa da liberdade política, recuperaram a idéia de República, tal como esta aparecia nas obras dos grandes autores políticos latinos, como Cícero, Tito Lívio e Tácito, bem como nos escritos de historiadores e juristas clássicos e, propuseram a “imitação dos antigos” ou o renascimento de república livre, anterior ao surgimento do império eclesiástico.
c) Aquela que propunha o ideal de homem como artífice de próprio destino, tanto por meio dos conhecimentos (astrologia, magia, alquimia), como por meio da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, poesia e teatro).
Essas três grandes linhas de pensamento explicam porque se costuma falar em humanismo como traço predominante da Renascença, uma vez que nelas o homem é valorizado, colocado como centro do Universo, defendido em sua liberdade e em seu poder criador e transformador.
A intensa atividade teórica e prática dessa época foi alimentada com grandes descobertas marítimas, que garantiam ao homem o conhecimento de novos mares, novos céus, novas terras e novas gentes, permitindo-lhe ter uma visão crítica de sua própria sociedade. Essa efervescência cultural e política levou a críticas profundas à igreja Romana, culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e de pensamento. À Reforma a Igreja Romana respondeu com a Contra-Reforma e com o aumento do violento poder da Inquisição.
Os nomes mais importantes desse período são: Dante, Marcílio Ficino, Giordano Bruno, Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo, Tomás Morus, Jean Bodin, Kepler e Nicolau de Cusa.
Chauí, Marilena; Convite à Filosofia. São Paulo. Atica, 2005.
Este é um espaço criado especialmente para você, que é amante do Cabo de Santo Agostinho, uma cidade com tantas contradições, mas que seu povo com suas lutas, sempre foi referência de destaque no cenário estadual e nacional. Vamos afrontar o nosso poeta Gabriel Dourado que certa feita recitou: "uma cidade com tantas histórias sem nenhuma prá contar". É com prazer que convido a todos, para juntos, contarmos essa história. Sejam bem vindos... Antonino Júnior
sexta-feira, 30 de julho de 2010
FILOSOFIA DA RENASCENÇA
(do século XIV ao século XVI)
É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na idade média e de novas obras de Aristóteles, que passam a ser lidas em grego e a receber novas traduções latinas, mais acuradas e fiéis. A época também se dedica a recuperação das obras de grandes autores e artistas gregos e romanos e à imitação deles.
São três as grandes linhas de pensamento que predominavam na Renascença:
a) Aquela proveniente da leitura de três diálogos de Platão (Banquete, Fédon e Fedro), das obras dos filósofos neoplatônicos e da descoberta do conjunto dos livros do hermetismo ou da magia natural, que se supunham terem vindo do Egito, escritos séculos antes de Moisés e de Platão, ditados por deuses e seus filhos humanos. A natureza era concebida como um grande ser vivo, dotada de uma alma universal (a alma do mundo) e feita de laços e vínculos secretos entre todas as coisas, unidas por simpatia e desunidas por antipatia. O homem era concebido como parte da natureza e como um microcosmo no macrocosmo (isto é, um pequeno mundo que espelha e reproduz a estrutura e a vida do grande mundo, ou o Universo) e por isso pode agir sobre o mundo e por meio de conhecimentos e práticas que operam com as ligações secretas entre as coisas, isto é, por meio da magia natural, da alquimia e da astrologia.
b) Aquela originária dos pensadores florentinos, que valorizava a vida ativa (a política) e defendia a liberdade das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico, isto é, contra o poderio dos papas e dos imperadores. Na defesa da liberdade política, recuperaram a idéia de República, tal como esta aparecia nas obras dos grandes autores políticos latinos, como Cícero, Tito Lívio e Tácito, bem como nos escritos de historiadores e juristas clássicos e, propuseram a “imitação dos antigos” ou o renascimento de república livre, anterior ao surgimento do império eclesiástico.
c) Aquela que propunha o ideal de homem como artífice de próprio destino, tanto por meio dos conhecimentos (astrologia, magia, alquimia), como por meio da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, poesia e teatro).
Essas três grandes linhas de pensamento explicam porque se costuma falar em humanismo como traço predominante da Renascença, uma vez que nelas o homem é valorizado, colocado como centro do Universo, defendido em sua liberdade e em seu poder criador e transformador.
A intensa atividade teórica e prática dessa época foi alimentada com grandes descobertas marítimas, que garantiam ao homem o conhecimento de novos mares, novos céus, novas terras e novas gentes, permitindo-lhe ter uma visão crítica de sua própria sociedade. Essa efervescência cultural e política levou a críticas profundas à igreja Romana, culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e de pensamento. À Reforma a Igreja Romana respondeu com a Contra-Reforma e com o aumento do violento poder da Inquisição.
Os nomes mais importantes desse período são: Dante, Marcílio Ficino, Giordano Bruno, Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo, Tomás Morus, Jean Bodin, Kepler e Nicolau de Cusa.
Chauí, Marilena; Convite à Filosofia. São Paulo. Atica, 2005.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
UMA ELEIÇÃO MEMORÁVEL
sexta-feira, 21 de maio de 2010
VOTO DE APLAUSO À CASA DA MEMÓRIA
Casa Grande do Engenho Boa Vista (hoje em ruínas)*
No dia do Museu, 18 de maio, a Câmara de Vereadores aprovou, por iniciativa do Vereador Ricardinho, um Voto de Aplausos para o Centro Cultural Casa da Memória, curador e organizador do acervo da Casa da Memória do Cabo de Santo Agostinho, que, apesar da importância do acervo, ainda não foi viabilizada. Segundo Antonino Oliveira Júnior, idealizador do projeto, "A Casa da Memória nada tem a ver com os museus tradicionais, mas, é um organismo vivo, que resgata a história mais antiga e começa a escrever a história contemporânea do município. Infelizmente, o ranço político vem impedindo que ela chegue às mãos do povo cabense".CELINA DE HOLANDA
O LIMITE
Vi os que lutam
contra a opressão
sendo opressores (não há
claros limites entre uns
e outros) e disse :
ai de nós
os que comemos juntos, se
não partilhamos (só alguns
têm certeza da comida
sinal forte de felicidade
para os que têm fome).
Ai de nós
por essa consciência de puros
sem nada para ser perdoado
como o Publicano e o Bom Ladrão.
LA LIMITE
J’ai vu ces que luttent
contre l’oppression
étant des oppresseurs (il n’y a pas de
claires limites
entre les uns
et les autres) et il a dit :
aie de nous
qui mangeons ensemble, si
nous ne partageons pas (à peine
quelques-uns
ont la certitude de la nourriture
signe fort de bonheur
pour ceux qui ont faim).
Aie de nous
pour cette conscience de purs
sans rien pour être pardonné
comme le Publicain et le bon Ladron.
(Da antologia bilingüe “Poésie du Brésil”, seleção de Lourdes Sarmento, edição Vericuetos, como nº 13 da revista literária francesa “Chemins Scabreux”, Paris, setembro de 1997.Traduções de Lucilo Varejão, Maria Nilda Miranda Pessoa e outros.)
Publicado em setembro de 2008
MERIDIANO
Vivemos a grande noite.
Cada amor em seu amor
se oculta.
Quem nos roubou a ternura
escondida? O corpo claro
e diurno?
Como os animais e as crianças
um dia a vida será só vida.
A PEDRA
Nesta mesa
o povo está sentado.
Não divaga.
Tudo o de que necessita
é perto e urgente.
Frio e direto, toma
a pedra que sou e quebra.
Vai construir o mundo.
"Não sei de muitas vozes poéticas femininas que se equiparem à sua, pela limpidez do sentimento reflexivo e pela discrição da palavra."
Carlos Drummond de Andrade
“Se apago esta paixão talvez me apague.”
Celina de Holanda 
sábado, 10 de abril de 2010
UMA NOITE BRILHANTE
quinta-feira, 8 de abril de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
CANÇÃO PRA NINGUÉM OUVIR
Por Douglas Menezes
Meus filhos não lerão esta crônica. Minha mulher não lerá esta crônica, muito menos meus irmãos e amigos. Porque ela é uma canção que não interessa a ninguém ouvir. Traz apenas esse silêncio que não diz nada, e me diz tudo. Desprovida de vida sonora, despoetizada da poesia ruidosa de agora. É só um canto de quem não talvez não tenha mais nada a dizer. Ela encerra esse ciclo que preenche o ex-branco dessa página. Letras mortas, onde nem o dono se anima em vivificar. Tem inspiração. Tem sim. Na música de Chico Buarque, que “Chora notas pra ninguém ouvir”. Mas a melodia e o poema do artista é para alguém. Estes escritos, ao contrário, escondem o sentimento, é tímido, traz a manha dos que não querem se mostrar. Final de livro, uma estrada cujo destino é uma reticência ou um ponto sem saída. Nem sequer a dignidade do beco, mas a incerteza dos descaminhados. Um fechar de volume, um não abrir nunca mais. Cortina arriada, portão cerrado. Voz muda. Círculo vazio. Medo medonho de que alguém queira ouvir. Preciso, então, preencher o resto do papel. Concluir a canção. A música que não diz nada. A música tão inaudível que não possui cantor.
Chico Buarque De Holanda
Ninguém vai chegar do mar nem vai me levar daqui nem vai calar minha viola que desconsola, chora notas pra ninguém ouvir Minha voz ficou na espreita, na espera, quisera abrir meu peito, cantar feliz Preparei para você uma lua cheia e você não veio, e você não quis Meu violão ficou tão triste, pudera, quem dera abrir janelas, fazer serão".
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
CALA BOCA, CALABAR, CALA!
Calabar, um mameluco filho de pai português e de mãe indígena, prestou um bom serviço para os invasores durante 3 anos, mas foi um tempinho arrasador para os portugueses e mazombos (leia-se brasileiros). Justiça seja feita, naquela época era normal virar a casaca, mas Calabar estava na hora, local e dia errados! E, ainda, era o Homem que Sabia Demais.
Até hoje muito se especula das razões que levaram Calabar a trair os portugueses. Era um homem inteligente e grande conhecedor da região e era brabo. Lutou ao lado do general Matias de Albuquerque, tendo sido ferido na guerra. Bem. Sabe como é que é.
Traidor pra lá, traidor pra cá, os holandeses olhavam assim de viés para Calabar, que não tava nem ai. Dizem as más línguas que ele tinha matado um mulher que estava lhe enchendo o saco cobrando pensão alimentícia.
Naquela época era enforcamento certo. Outros, piores línguas ainda, disseram que ele devia uma grana preta para os portugueses, e, como os outros invasores tinham um acordo com a Inquisição, Calabar escaferdeu-se. (sim, minha senhora, tanto portugueses como holandeses invadiram o Brasil, ou a senhora não tinha percebido?)
Mas Calabar fez aquele agá com um coronel holandês de nome esquisito (Van Waerdenburch) e o levou por caminhos tortuosos, mas Certos, a saquear Igaraçu (ou Igarassu), que era a segunda cidade mais importante de Pernambuco, por onde boa parte da riqueza de então era transportada.
Um outro coronel, Sigismund von Schoppe, viu ali uma boa oportunidade de ter um bom amigo na pessoa de Calabar, que não era assim tão calado, como se vê.
Do lado de cá, ou do lado de lá, quer dizer, dos portugueses, Matias Albuquerque ficou pê da vida com a "traição" de Calabar, e mandou dizer que tolerava outra "traição" dele, desde que agora, do lado dos portugueses, oferecendo-lhe não só o cargo de agente duplo mas também o perdão pela traição cometida e mais uns trecos aí. Acho que a proposta foi tão mesquinha que Calabar sequer dignou-se a responder, o que deixou Matias mais pê ainda.
De Itamaracá até a fortaleza dos Reis Magos (na cidade hoje de Natal), os holandeses conquistaram tudo fácil fácil, com a ajuda do falante Calabar.
E tem mais: os índios tapuias, famosos e ferozes antropófagos ficaram amigos dos flamengos (não estamos falando do time carioca, estamos falando dos holandeses, que também eram chamados de flamengos), para desgraça dos portugueses (abrindo mais um parênteses: os tapuias eram sanguinários: o cabra ainda tava vivo ainda e eles metiam um troço qualquer na barriga do sujeito, que era aberta, puxavam as tripas e o coração pra fora e deixavam o coitado gritando. Depois, era só fazer uma fogueira massa...).
O lado sul também foi conquistado graças a Calabar, como o forte do Cabo de Santo Agostinho, o que atrapalhou ainda mais a vida dos portugueses. Nessas alturas, tudo que era oficialidade graúda queria ser amigo de Calabar, para usar as informações deste e se locupletarem com as conquistas fáceis. Afinal, o mapa da mina estava com o nosso anti-herói.
O comandante Matias de Albuquerque estava desesperado com o estrago feito com a "traição" de Calabar, esquecendo que oficiais holandeses, alemães, austríacos e de outros povos também tinham passado para o lado dos portugueses. E vice-versa.
De repente, Matias de Albuquerque se lembrou que Calabar fora criado junto com um primo-irmão que agora poderia ser muito útil. De imediato, mandou chamar o parente de Calabar. Prometeu mundos e fundos, desde que, palavras textuais "que lhe faria mercê que o contentasse se pudesse matá-lo em algum ataque". Antonio Fernandes, o tal primo-irmão, nem teve tempo de cumprir a promessa. Morreu na tentativa.
Nesse ínterim, Calabar tornou-se um membro estimado, temido e respeitado no meio dos invasores, parece que até se convertendo à Igreja Católica Reformada. Tanto é verdade, que quando sua esposa teve um filhinho, durante a guerra, a criança foi batizada nessa igreja.
E a turma do puxa-saco se aproveitou: as testemunhas foram o alto conselheiro Servatius Carpentier, o coronel Sigismund von Schoppe, o coronel polonês Chrestofle Arciszewski, o almirante Jan Cornelisz Lichthart e uma senhora da alta sociedade. O pastor oficiante foi provavelmente o Rev. Daniel Schagen. Tudo nos trinques. O menino foi batizado como Domingo Fernandus, filho de Domingo Fernandus Calabara e Barbara Cardoza.
Mas nem tudo que é bom dura muito. Orientados por Calabar, os holandeses continuaram a expansão para o sul e, em março de 1635, atacaram Porto Calvo, a terra natal de... Calabar. Debandada geral. A cidade rendida, quem conseguiu fugir, se mandou para o sul.
O Arraial de Bom Jesus, comandado por Matias de Albuquerque, ficou isolado. A maior miséria. Depois de três meses, o Arraial também caiu. Matias também fugiu para o sul acompanhado de 7 mil moradores que preferiram fugir a se submeterem aos holandeses.
No meio do caminho não tinha uma pedra, e sim Porto Calvo. Matias chegou com aquela galera enorme na pequena cidade de Alagoas (que ainda era território de Pernambuco), que nessa altura estava defendida por apenas 500 homens comandados pelo Major Picard. Matias atacou a cidade, que teve que pedir condições de se render.
Picard, que sabia das coisas, sacou logo que tinha um problemão nas mãos: Calabar. E tentou salvá-lo, conseguindo apenas que ele ficaria "à mercê d'el-rei". Para bom entendedor, meia palavra basta!
Não deu outra: rapidamente foi constituído um tribunal militar, com a sentença de morte pronta (igual ao que fizeram com Frei Caneca). Bastava apenas a formalidade do julgamento. E, no dia 22 de julho de 1635, a sentença foi executada - perdão, Calabar foi executado, cujo corpo sequer foi enterrado. Ficou por ali mesmo.
Os portugueses, que não eram bestas, se mandaram. Comandados por Matias de Albuquerque, fugiram dois dias antes da chegada de uma grande tropa de holandeses que ficaram enfurecidos quando viram os restos mortais de Calabar; afinal este era compadre e amigo dos comandantes que ali estavam, os coronéis Sigismund e Arciszweski (tu ia gosta de ver teu amigo e compadre de noitadas, ali, no chão, morto e fedendo, sem direito a sepultura, ia, ia!?). E assim Calabar foi enterrado com honras militares.
Finalmente calaram a boca de Calabar.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
HISTÓRIA DO CARNAVAL
Claudia M. de Assis Rocha Lima
Pesquisadora
ORIGEM DO CARNAVAL
Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis. Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza. Mas num ponto todos concordavam, as grandes festas, como o carnaval, estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais. O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas. Na Europa, os mais famosos carnavais foram ou são: os de Paris, Veneza, Munique e Roma, seguidos de Nápoles, Florença e Nice.
CARNAVAL NO BRASIL
O carnaval foi chamado de Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas. No Brasil, o carnaval é festejado tradicionalmente no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Na Bahia, é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com características baianas, com a presença indispensável dos Trios Elétricos e são realizadas no decorrer do ano; em Fortaleza realiza-se o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; no Recife, o Recifolia, já extinto.
CARNAVAL NO RECIFE
Século XVII - De acordo com as antigas tradições, mais ou menos em fins do século XVII, existiam as Companhias de Carregadores de Açúcar e as Companhias de Carregadores de Mercadorias. Essas companhias geralmente se reuniam para estabelecer acordo no modo de realizar alguns festejos, principalmente para a Festa de Reis. Esta massa de trabalhadores era constituída, em sua maioria, de pessoas da raça negra, livres ou escravos, que suspendiam suas tarefas a partir do dia anterior à festa de Reis. Reuniam-se cedo, formando cortejos que consistia de caixões de madeira carregados pelo grupo festejante e, sentado sobre ele uma pessoa conduzindo uma bandeira. Caminhavam improvisando cantigas em ritmo de marcha, e os foguetes eram ouvidos em grande parte da cidade.
Século XVIII - Os Maracatus de Baque Virado ou Maracatus de Nação Africana, surgiram particularmente a partir do século XVIII. Melo Morais Filho, escritor do século passado, no seu livro Festas e Tradições Populares, descreve uma Coroação de um Rei Negro, em 1742. Pereira da Costa, à página 215 do seu livro, Folk-lore Pernambucano, transcreve um documento relativo à coroação do primeiro Rei do Congo, realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, da Paróquia da Boa Vista, na cidade do Recife. Os primeiros registros destas cerimônias de coroação, datam da segunda metade deste século nos adros das igrejas do Recife, Olinda, Igarassu e Itamaracá, no estado e Pernambuco, promovidas pelas irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e de São Benedito.
Século XIX - Depois da abolição da escravatura, em 1888, os patrões e autoridades da época permitiram que surgissem as primeiras agremiações carnavalescas, formadas por operários urbanos nos antigos bairros comerciais. Supõe-se que as festas dos Reis Magos serviram de inspiração para a animação do carnaval recifense. De acordo com informações de pessoas antigas que participaram desses carnavais, possivelmente o primeiro clube que apareceu foi o dos Caiadores. Sua sede ficava na Rua do Bom Jesus e foi fundador, entre outros, um português de nome Antônio Valente. Na terça-feira de carnaval à tarde o clube comparecia à Matriz de São José, tocando uma linda marcha carnavalesca e os sócios levando nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com pincéis, subiam os degraus da igreja e caiavam (pintavam), simbolicamente. Outros Clubes existiam no bairro do Recife: Xaxadores, Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente e Toureiros de Santo Antônio.
Século XX - O carnaval do Recife era composto de diversas sociedades carnavalescas e recreativas, entre todas destacava-se o Clube Internacional, chamado clube dos ricos, tinha sua sede na Rua da Aurora, no Palácio das Águias. A Tuna Portuguesa, hoje Clube Português, tinha sua sede na Rua do Imperador. A Charanga do Recife, sociedade musical e recreativa, com sede na Avenida Marquês de Olinda e a Recreativa Juventude, agremiação que reunia em seus salões a mocidade do bairro de São José. O carnaval do início deste século era realizado nas ruas da Concórdia, Imperatriz e Nova, onde desfilavam papangus e máscaras de fronhas (fronhas rendadas enfiadas na cabeça e saias da cintura para baixo e outra por sobre os ombros), esses mascarados sempre se apresentavam em grupos. Nesses tempos, o Recife não conhecia eletricidade, a iluminação pública eram lampiões queimando gás carbônico. Os transportes nos dias de carnaval vinham superlotados dos subúrbios para a cidade. As linhas eram feitas pelos trens da Great Western e Trilhos Urbanos do Recife, chamados maxambombas, que traziam os foliões da Várzea, Dois Irmãos, Arraial, Beberibe e Olinda. A Companhia de Ferro Carril, com bondes puxados a burros, trazia foliões de Afogados, Madalena e Encruzilhada. Os clubes que se apresentaram entre 1904 e 1912 foram os seguintes: Cavalheiros de Satanás, Caras Duras, Filhos da Candinha e U.P.M.; este último criado como pilhéria aos homens que não tinham mais virilidade.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
PARA NÃO NOS ESQUECERMOS
DOUGLAS MENEZES
Na década de oitenta do século passado, um grupo de jovens aqui do cabo de Santo Agostinho fundou um folheto poético chamado “Para não nos Esquecermos”. Natanael Júnior, Paulo Cultura, de saudosa memória, Antonino Júnior, Frederico Menezes, Gerson Santos, Jeová, entre outros, faziam parte desse trabalho, cuja tentativa maior era resgatar o fazer poético da cidade de Santo Agostinho e avivar a memória dos cabenses para a necessidade de se perpetuar o bem imaterial do município através da arte. Foi uma angustiante busca de se produzir uma “Cantiga para não morrer”, como bem diz o grande poeta Ferreira Gullar. E embora de vida efêmera, a publicação foi um grito, uma chamada de atenção, um incentivo para que não deixássemos de falar, de ter voz, de mostrar à ditadura, principalmente a nível da cidade, que nós estávamos vivos, que tínhamos corações e mentes e, sobretudo, sensibilidade.
Fazíamos parte do grupo e não lembramos bem quem colocou o título tão sugestivo. O certo é que, a partir daquela edição, alguns companheiros não pararam mais de produzir literatura, embora uns tivessem feito um hiato e depois retornado à produção. Parte deles lançou livros, que hoje são antológicos dentro do fazer literário da cidade do Cabo. Natanael Júnior conseguiu a façanha de publicar um livro pelas Edições Piratas, um dos movimentos mais significativos do século vinte na cultura pernambucana. Podemos mesmo dizer que a década de oitenta fez surgir boa parte da hoje Academia Cabense de Letras. Aqueles sonhadores não pleiteavam fama, glória literária, mas apenas um espaço para poder cantar o que a alma implorava.E lembremos: isto ainda na ditadura militar, onde a liberdade de expressão se mantinha cerceada.
Aqueles jovens escritores confirmaram, também, a visão de que se podia fazer cultura sem a tutela do poder público, à época, como hoje, insensível aos bens imateriais de uma comunidade. Mostraram que é possível dizer “as coisas” sem o carimbo oficial” que, muitas vezes, tiram o chance do artista ser realmente livre para realizar seu trabalho. Sua arte sobrevivia da necessidade de produzir esteticamente e de fazer história,deixando claro que a cidade é o povo, com o seu cotidiano sofrido, com sua tradição natural. As pessoas simples é que fazem a historiografia de um lugar, pois o poder é passageiro e muitos dos governantes são jogados apenas no lixo dos anos que se passam.
“Para não nos Esquecermos” teve vida curta, foi sucedido pelo bem mais elaborado “Sol de Versos”, mas, embora quase esquecido, deixou semente e marcou nossa existência. Guardamos suas edições como a um tesouro que não tem preço. Em seu último e eterno número a frase emblemática, que resume o espírito romântico, rebelde, histórico e identificador com a cidade: “Tem Arte e Artistas nas Ladeiras do Cabo de Santo Agostinho”. Lição que os novos deveriam assimilar, pois assusta como, a passos largos, perdemos a identidade e o humanismo. Tornamo-nos cosmopolitas e ricos economicamente, mas estamos esquecendo de beber a água da fonte da espiritualidade que é a cultura. E antes que seja muito tarde, façamos o retorno sem deixar de avançar. Toquemos o presente buscando inspiração no passado “para não nos esquecermos”.
*Douglas Menezes é professor, escritor, tricolor e membro da Academia Cabense de Letras. Janeiro de 2010.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
AH, ESSA CONFUSA MEMÓRIA!
Dona Coló benzia os meninos com espinhela caída e mau-olhado. O pinhão roxo ficava murcho de tanta mazela que os pequenos possuíam. Mas quem diabo botaria mau-olhado num menino magrinho, pálido e perebento? Dona Coló também pisava no pilão secular e torrava o café de cheiro bom que incensava a rua da Aurora e descia pela rua da Matriz. Sinto hoje, ainda, o gosto daquele cheiro: o pretinho forte que povoava a infância de crianças que caminham hoje para a velhice. Alguns agora de passos lerdos,carregando o peso daquele tempo. Dona Coló tirava mau-olhado. Era mãe de Laura, avó de Carlos e respeitada como uma mãe. Heitor Paiva lutou décadas para ser prefeito do Cabo. Quando conseguiu, renunciou pouco depois, em troca de um emprego na secretaria da fazenda do estado. Isto magoou muita gente, mas diziam todos, era ele um homem sério. Meu padrinho Heitor: deu-me a primeira bola de couro, com a qual jogava no campo da ladeira e no campinho de Benedito. Naquela época, o menino sonhava em ser jogador de futebol, coisa que a realidade tratou de sepultar e fazer a criança adulta entender que o decorrer da existência os sonhos vão sendo enterrados. Talvez fosse ator, cantor, compositor:” poeta de pouco brilho, pai de família criada”, já dizia o grande Vinícius de Moraes. O menino dormitava nos braços da mãe e ouvia algazarra de gente que descia a Vigário João Batista. Padre Melo fazia mais uma passeata com os seus camponeses. Tempos de agitação, a cidade na vanguarda dos movimentos sociais. Se a criança no colo da mãe não entendia ainda, depois os mais velhos repassaram a história. Padre Melo, polêmico, mas fundamental em nossas vidas. Levou a geração cabense dos anos sessenta e setenta ao debate, a questionar a vida, a politizá-la e olhar a cidade como um ser vivo, questionador e social. O vigário ajudou muita gente, lutou e criou o bairro São Francisco,quase uma cidade hoje. Contribuiu para a fundação do Abrigo que possui uma das mais belas histórias de solidariedade da Cidade de Santo Agostinho. Não esquecer padre Melo, é não deixar de lembrar esse pedaço que marcou nosso caminho para o desenvolvimento. Professor Daury sacudiu o município: foi candidato a prefeito, perdeu por quarenta e nove votos, não quis recontagem dos votos, seus aliados insistiam que havia fraude e elegante, o mestre aceitou a derrota. A família do menino o apoiou. A criança, mesmo sem entender bem, ouviu a história que o pai, candidato a vice contou. E dizem, o Cabo, nos anos sessenta, deixou de ter um prefeito intelectual e de coração puro. Quatro horas o banho, quatro e meia comprar o pão. Um dia na volta da padaria, já perto de casa, alguém grita: uma bala. Com um martelo, o projétil detonado, a quentura estranha na perna do menino, a bala alojada na coxa. A primeira grande dor, ainda criança. A extração da bala em Recife. O primeiro contato com a violência real. As indústrias chegavam: Coperbo, Brahma, Rhodia. A cidade era só expansão. Começava o final do ciclo de Vicente Mendes, reconhecido pelos mais velhos como um prefeito operoso. Surgia o Ginásio Industrial e a vila Esperança. O menino continuava brincando de artista, barra bandeira, quatro cantos e jogando bola, pensando em ser jogador. Caiu sobre uma lata de conserva e pegou cinco pontos, mais dor para ilustrar a vida. Dona Elzanira era a professora braba, mas boa gente, do grupo escolar Morgado do Cabo, que tinha a porta feito a entrada de um salão de filme faroeste. E o professor Daury tentou de novo e perdeu feio para Zequinha da Bolacha. O Cabo não queria um prefeito intelectual. A mente quer contar mais coisas. Misturada, não consegue articular o que pretende dizer. Bate o sono, mas resiste ainda a memória, em estado de hibernação,imaginando, um dia, talvez, poder falar tudo o que a existência juntou e que teima em se mostrar como cachoeira que desce rio abaixo, sem um rumo certo.
Douglas Menezes é professor, escritor, tricolor e membro da Academia Cabense de Letras.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817
A Revolução Pernambucana de 1817, que cognamos de Revolução maçônica de Sacerdotes, lutava pela Liberdade, pela dignificação do homem ...
Não podia, portanto, ser indiferente à situação dos desgraçados escravos, esbulhados de sua Liberdade, pelos que se diziam civilizados.
A Maçonaria, promotora do heróico movimento de 1817, despertar vibrante da consciência dos brasileiros, não podia ficar indiferente à escravidão de milhares de infelizes. Certo, teria de enfrentar tenaz oposição dos senhores de escravos mas não podia prescindir do apoio deles. Cumpria proceder com cautela.
Propalaram que a intenção era libertar, em seguida, os escravos. Sem desmentir os seus propósitos, confirmando-os mesmo, os dirigentes do movimento saíram a público e divulgaram a seguinte proclamação.
“Patriotas pernambucanos! A suspeita tem se insinuado nos proprietários rurais: eles crêem que a benéfica influência da presente liberal revolução tem por fim a emancipação indistinta dos homens de cor, e escravos. O Governo perdoa uma suspeita que o honra. Nutrido em sentimentos generosos, não pode jamais acreditar que homens, por mais ou menos tostados, degenerassem do original tipo de igualdade; mas está igualmente convencido que a base de toda a sociedade regular é a invioabilidade de qualquer espécie de propriedade. Impelido destas duas forças opostas, deseja uma emancipação que não permita mais lavrar entre eles, o cancro da escravidão; mas deseja-a lenta, regular, legal”.
Aí está clara, sem titubeios, um dos objetivos principais da Revolução “.... deseja uma emancipação que não permita mais lavrar entre eles, o cancro da escravidão ...”
Houve a afirmação de que havia a intenção de abolir a escravidão. Uma vez mais, a Maçonaria estava, indômita, lutando pela Liberdade do Homem ...
Luiz Alves Lacerda – Foi Escritor Pesquisador e Historiador cabense. Atual patrono da Cadeira nº 09 da Academia Cabense de Letras
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
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CONTANDO NOSSA HISTÓRIA
